Review: Castlevania – Lament Of Innocence

Por: André Breder Rodrigues

Ficha Técnica:

Ano de lançamento: 2003
Produtora: Konami
Gênero: Ação
Número de jogadores: 1

Introdução

Lament Of Innocence pode ser considerado, sem sombra de dúvida, como o primeiro jogo da série Castlevania a vingar no formato 3D. Mesmo os dois jogos lançados para o Nintendo 64 (a saber, Castlevania 64 e Legacy of Darkness), que tentaram se dar bem neste “novo universo” para a série Castlevania, ter sua parcela de fãs, é incontestável que a grande maioria detestou ( e ainda detesta) estes jogos.

IGA (o atual produtor da série Castlevania) teve então a difícil missão de conseguir criar um Castlevania 3D que, sem meias palavras, desse certo! Os jogos até então produzidos por ele para a série preservavam o tradiconal estilo 2D, o que gerava uma grande expectiva em torno do aconteceria. Mas graças a sua excelente equipe, e suas incansáveis pesquisas (IGA diz que para a criação de Lament Of Innocence, chegou a jogar e testar todos os jogos em 3D que conseguiu encontrar), o japonês conseguiu mais uma vez acertar em um jogo da série Castlevania! Lament Of Innocence é um jogo perfeito? Longe disso, mas passou bem longe também de ser considerado um jogo “horrível”, adjetivo que, infelizmente, é usado pelos fãs para definir o que foram para eles os jogos da série lançados para o Nintendo 64.

Parece até ironia, mas a maior polêmica causada por Lament Of Innocence para com seus fãs, não teve nada a ver com o jogo se passar em um ambiente em 3D, e sim sua história. Antes do lançamento de Lament Of Innocence, o primeiro jogo da cronologia oficial da série era o título Castlevania Legends, lançado em 1998 para o Game Boy, que tinha como personagem principal a única mulher a figurar como protagonista na série: a destemida Sonia Belmont. A história de Castlevania Legends ocorria alguns anos antes dos acontecimentos de Castlevania III – Dracula´s Curse, sendo que Sonia era mãe de Trevor Belmont. No manual de Castlevania Legends ficava explícito que este jogo era o “pontapé” inicial da série, sendo Sonia a primeira da linhagem dos Belmonts a lutar contra as forças do mal. Com a criação de Leon Belmont, e de toda a história envolvendo a trama de Lament Of Innocence, a pobre Sonia foi literalmente cortada na linha cronológica da série, para a revolta de muitos fãs!

A história do jogo

A história de Lament Of Innocence ocorre no ano de 1094, ou seja, exatamente 356 anos antes da história ocorrida em Castlevania Legends, que se passou no ano de 1450. Sendo Leon um legítimo Belmont, a história de que Sonia seria a primeira do clã a lutar contra o mal, foi pro brejo! E ao invés de reciclarem a história de Castlevania Legends, foi preferido que a mesma fosse cortada da cronologia oficial da série, infelizmente, ou seja, oficialmente Sonia Belmont não existe e nunca existiu! Fãs chegaram a declarar que isso foi um ato machista de IGA, e até mesmo esbravejaram que ele não deve gostar de mulher, mas isso á algo que eu não vou ficar discutindo aqui…

Voltando a história de Lament, como já dito, o jogo se passa no final do século X. É a época dos Crusados. Dois amigos, Leon Belmont e Mathias Cronqvist, têm travado diversas lutas em nome da igreja Cristã, e juntos formam um time imbátivel. Um dia a esposa de Mathias, Elisabetha, morre, e faz com que o mesmo passe a ficar recluso. Algum tempo depois, Mathias vai ao encontro de de seu amigo Leon Belmont, e o avisa que Sara, sua noiva, foi raptada por um vampiro chamado Walter e que a moça está sendo mantida presa no Castelo das Trevas. O Belmont parte para o castelo com a intenção de salvar sua amada, e no caminho conhece Rinaldo, um homem misterioso, que o ensina sobre o local e lhe entrega um chicote feito através da arte secreta chamada Alquimia, objeto que passaria a ser sua principal arma contra os inimigos que encontraria em sua jornada no Castelo das Trevas.

Descartando o sistema de experiência…

Lament Of Innocence, mesmo continuando o sistema de exploração, encontrados nos jogos anteriores da série produzidos por IGA, descartou o sistema de experiência. A intenção de IGA foi de tornar o jogo mais difícil, já que nos jogos anteriores onde existia este sistema, jogadores menos habilidosos podiam ficar evoluindo seus personagens até serem capazes de prosseguir por aquela parte mais difícil no jogo, ou vencer aquele chefe que, a principio, seria para ser algo desafiante, com uma grande facilidade. Neste ponto IGA acertou, pois Lament está realmente difícil se for comparado com os outros jogos mais recentes da série, onde a possibilidade de evoluir os personagens acaba tornando tudo mais fácil.

Apesar de continuar no sistema de exploração, Lament já traz as 5 áreas iniciais do jogo abertas, podendo ser exploradas na ordem que o jogador bem entender. Mas como, em cada uma destas áreas, existem portas que só podem ser abertas com certas chaves, e caminhos que só podem ser seguidos ao se possuir determinado item ou relíquia, não há como explorar uma área de forma completa sem que o jogador tenha que ir visitar outras atrás destes itens. E a última área só é liberada após vencer os chefes de cada uma das cinco áreas iniciais.

Gráficos

Os gráficos do jogo estão muito bem feitos, com texturas bem definidas e uma resolução excelente! Os cenários estão bem diversificados e foram traduzidos na tela com extrema perfeição e bom gosto! Durante a aventura o jogador irá adentrar em variados cenários que vão desde uma bela catedral até calabouços horripilantes! Os fãs mais antigos da série poderão ficar se perguntando o porque de não haver uma fase numa torre de relógio, algo tradicional na série. Acontece que os relógios mecânicos foram invetados apenas no século 13. Voltando aos gráficos, não somente os cenários tiveram um tratamento especial, mas também o design dos monstros e personagens principais estão ótimos! A talentosa Ayami Kogima foi novamente a responsável pelo desenho dos personagens principais, e como não poderia ser diferente em se tratando de seus trabalhos, são um show a parte!

Trilha Sonora e Efeitos Sonoros

A trilha sonora composta por Michiru Yamane é outro grande destaque do jogo! As músicas são bem variadas, e conseguem passar aos jogadores diversos climas durante toda a aventura. Todas as músicas possuem grande orquestrações e são de uma beleza tamanha, mas entre os temas do jogo podemos destacar a música “Lament of Innocence”, que é o tema do personagem Leon Belmont, como a melhor! É uma música que consegue passar de forma perfeita a sensação “é hora da vingança”! Na minha opinião, o único porém dentre os temas músicas encontrados neste jogo é o tema da área “Anti-Soul Mysteries Lab”. Com uma batida techno insuportável, esta é o único ponto negativo que vejo na trilha sonora de Lament of Innocence.

Os efeitos sonoros estão em uma quantidade enorme neste jogo! Praticamente cada ser que se move tem um som característico. Tudo está muito bem feito, e até mesmo a narração em inglês do jogo é ótima desta vez! Fãs que reclamaram das vozes encontradas na versão americana de SOTN, que apesar de eu não considerá-las ruins ao todo, realmente ficaram abaixo, muito abaixo da versão original japonesa, não tem do que reclamar do trabalho feito em Lament of Innocence! As vozes dos personagens estão ótimas, e os diálogos do jogo estão mais abrangentes e inteligentes, do que os encontrados em SOTN.

Jogabilidade

A jogabilidade é muito boa, com os comandos de ação funcionando de maneira rápida e precisa. O único porém está na questão do uso de itens e troca de armas/acessórios durante o jogo, que é um pouco complicada, pois tudo tem que ser feito em tempo real. Muitas das vezes é complicado fazer o uso de itens curativos, por exemplo, com Leon estando cercado por monstros, pois ao entrar no menu de uso dos itens, Leon ficará completamente indefeso, ou seja, alvo fácil para os inimigos. O menu de troca das relíquias e orbs também é complicado de se mexer, exatamente por tudo ter que acontecer em tempo real também. Talvez IGA quis que a ação do jogo não fosse interrompida em momento algum, mas com isso acabou deixando tudo mais difícil. Apesar de ser uma falha, ou pelo menos algo que complica um pouco a jogatina, com o tempo o jogador se acostuma com essa questão do uso de itens, armars, relíquias e orbs em tempo real, e passa a se divertir muito com o jogo.

Dificuldade

Se formos comparar com os jogos anteriores da série lançados mais recentemente, e que traziam o sistemas de níveis, onde o personagem principal ia melhorando seus atributos a medida que ganhava experiência com a derrota de seus inimigos, podemos dizer que Lament of Innocente está bem mais difícil. Mesmos alguns inimigos simples já serão osso duro de roer, e alguns dos chefes serão um pouco complicados à primeira vista. Chefes terríveis como a Morte e o opcional The Forgotten One (que em sua aparência lembra muito o chefe Lord of The Flies de SOTN), dão muito trabalho para serem derrotados, e mesmo os jogadores mais experientes irão ter que “suar” para vencê-los. Os labirintos do Castelo contudo, não são complicados de serem explorados.

Conclusão

Apesar de estar longe de ser um jogo perfeito, Lament of Innocence é muito divertido. Pena que ele seja relativamente curto. Mas apesar das pequenas falhas, IGA conseguiu cumprir a dificil tarefa de criar um jogo da série Castlevania em 3D que fosse aclamado pelos fãs, provando ser totalmente víavel um jogo da série fora do tradicional universo 2D.

16 Responses to “Review: Castlevania – Lament Of Innocence”


  1. 1 Kratos Imortal abril 5, 2009 às 1:45 am

    Eu achei esse castlevania show de bola! Já o Curse of Darkness eu não curti tanto.

  2. 2 André Breder abril 5, 2009 às 9:45 am

    Já eu gostei de ambos… quem sabe no futuro ainda irei falar sobre o Curse of Darkness por aqui…

  3. 3 Sérgio abril 7, 2009 às 9:32 am

    PS2 comanda. Apesar de amar a minha antiga plataforma SNES, o PS2 é igualmente herói pra mim. Até hoje ainda o jogo e continuarei jogando por um bom tempo – a biblioteca de jogos é imensa e tem muita coisa boa pra ser jogada e falada.

    Irei acompanhar esse blog com toda certeza. Também ajudarei a divulgar, pq uma iniciativa dessa merece todo apoio.

    Abs!!!

  4. 4 André Breder abril 7, 2009 às 9:34 am

    Valeu Sérgio pela força!

  5. 5 André Leonardo maio 17, 2009 às 5:53 pm

    Parabéns aê cara ! Vi seu blog lá pelo fórum uol, sua análise está de parabéns !

  6. 7 caliuss junho 14, 2009 às 12:41 am

    isso é uma pergunta o rinaldo é do bem ou é do mal pq todos chefes que eu mato fala um poko sobre ele?
    ah e no começo do jogo conforme vc vai na sala onde vc escolhe a faze que vc quer ir tem uma porta e nessa porta tem uma enorme escada e conforme vc vai descendo vc vai achar uma porta muito estranha e nessa porta ta falando que pra vc poder entrar nela vc tem que ter algum tipo de poder so sei que da pra ouvir barulhos tipo de um cerberus nela vc poderia me falar o que eu poço fazer?
    e eu pensei que o mathias fose amigo do walter vc poderia me descrever o mais forte mathias ou walter?

  7. 8 André Breder junho 14, 2009 às 12:00 pm

    Vamos por partes, caliuss:

    “o rinaldo é do bem ou é do mal pq todos chefes que eu mato fala um poko sobre ele?”

    Rinaldo é do lado dos mocinhos. Ele é um alquimista que vive nas proximidades do castelo de Walter, e que certa vez tentou matar o vampiro, por este ter transformado sua filha em uma vampira. A família de Rinaldo foi totalmente dizimada pela sua filha vampirazada, e posteriormente ele teve que matá-la com suas próprias mãos. Em sua luta contra Walter ele acabou notando que seu chicote era ineficaz contra o vampiro, e passou então a se dedicar a ajudar aqueles que fossem tentar lutar contra Walter.

    “no começo do jogo conforme vc vai na sala onde vc escolhe a faze que vc quer ir tem uma porta e nessa porta tem uma enorme escada e conforme vc vai descendo vc vai achar uma porta muito estranha e nessa porta ta falando que pra vc poder entrar nela vc tem que ter algum tipo de poder so sei que da pra ouvir barulhos tipo de um cerberus nela vc poderia me falar o que eu poço fazer?”

    Esta porta que você está se referindo só pode ser aberta com o item “Unlock Jewel”, que só poderá ser encontrado em uma das salas do cenário “Pagoda of the Misty Moon”, que é justamente o último cenário do jogo. Atrás desta porta se encontra a criatura “The Fogotten One” que é um chefe opcional do game.

    “e eu pensei que o mathias fose amigo do walter vc poderia me descrever o mais forte mathias ou walter?”

    Mathias não é amigo de ninguém! Ele usou todos os personagens que aparecem no game em um plano diabólico, onde no final Mathias teria para si a alma e os poderes de Walter, e passaria então a ser o Senhor dos Vampiros. Ou seja, mesmo Walter sendo mais poderoso que Mathias, este, em posse da Crimson Stone, conseguiu roubar os poderes do vampiro, se tornando então aquele que seria conhecido no futuro como Dracula.

    • 9 Tiago julho 7, 2010 às 2:36 pm

      Oí André, tudo bem? Queria uma ajuda, Estou começando a jogar e não consigo passar pelas portas.
      Estou no castelo mas não tem nenhum inimigo, vou pra todos os lados e não sei o que fazer, pego a primeira pedra mas não dá pra passar dessa sala.
      Me dá uma dica por favor.
      Abraço

      Tiago

  8. 10 anonimo abril 30, 2010 às 5:44 pm

    eu prefiro o curse of darknes por que esse ai é muito facil vc ando um pouquinho tchan, viro o jogo, é bom mas falto duraçao, e até pq os modos q libera depois sao mais faeis ainda exceto o crazy que é mais demorado!!!!!

  9. 11 vanderson Fonseca JR dezembro 31, 2010 às 12:44 am

    agora tem um jogo de ps3 que na cronologia do jogo é mais velho que esse confira:http://pt.wikipedia.org/wiki/Castlevania

    • 12 André Breder janeiro 2, 2011 às 4:19 pm

      O Lords of Shadow se passa antes do Lament of Innocence, só que ele não segue a cronologia da série, é um spin-off, logo na cronologia velha, o primeiro game da franquia para o PS2 continua sendo o primeiro. Agora não duvido nada da Konami até mesmo criar uma nova cronologia dando continuidade ao que foi mostrado em Lords of Shadow.

  10. 13 nichollas julho 2, 2011 às 5:48 pm

    sera que alguém pode me ajudar ? eu precioso da lista de inimigos completa por favor estou muito nesse citado ?

  11. 14 leandro(leon belmont)alves agosto 21, 2011 às 9:58 am

    pô Breder! esse castlevania é uns dos meus favoritos da série. até o meu avatar nos comentários é do Leon Belmont, que eu considero um dos caçadores de vampiros mais machos da familia Belmont,depois dele só o Richter e o Trevor!(na minha opnião)

    esse foi o primeiro game do PS2 que já joguei nessa vida e foi o primeiro que zerei. cara,tudo nesse jogo é show de bola! o que mais fiquei bolado foi a história do Leon e o que ele teve que fazer para fazer o léndario chicote Vampire Killer. matar a pessoa que ele ama e veio salvar não é para qualquer um… (SPOILER,WARNING) e tem gente que ainda acha a morte da mãe de Alucard em Castlevania Symphony of the Night muito drámatica…e ainda tem o personagem mais enigmático e fodástico que achei até então em Castlevania: Matthias Cronqvist.

    esse personagem me marcou na série porque ele causou todo o sofrimento que Leon passa no jogo e sequer a gente o enfrenta. e não engoli essa história que ele vai ser o Drácula num futuro próximo. prefiro achar que ele ainda vai aparecer em algum game futuro da série. até porque, nenhum castlevania menciona a ebony e a crimson stone que Matthias carrega e ele não tem o sobrenome “Vlad Tepes”. adoro esse jogo!

  12. 15 bluepasj novembro 14, 2011 às 8:42 pm

    PEQUENAS?! Eu achei que esse jogo fosse ser absolutamente perfeito, igual o Symphony, e pelos gameplays que vi parecia que era mesmo. Mas quando o obtive… que decepção… muito muito muito MUITOOOO repetitivo!


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